Categoria: ⭐ Review | 🎮 Games | PC · PS5 · Xbox Series X|S Desenvolvedor: IO Interactive | Nota: 8,5

Nota do autor: Não sou fã de carteirinha de James Bond ou de 007. Mas esse jogo me entregou exatamente o que eu esperava de um bom jogo de espião.


O contexto

007 voltou aos games após mais de 14 anos de ausência — e não voltou de qualquer forma. A IO Interactive, mesma desenvolvedora por trás da aclamada trilogia Hitman, assinou o projeto e entregou uma das experiências mais completas de espionagem e ação dos últimos anos.

A história

A narrativa de 007: First Light é consistente e interessante. O jogo passa por momentos de ação, tensão, espionagem, perdas e emoções que tornam a jornada envolvente. Ao mesmo tempo, é uma história cheia de clichês: o mentor que não aceita o aprendiz, o jovem que desafia as autoridades, o vilão que acredita seguir o caminho certo. Isso torna o jogo previsível — mas os clichês em si não foram o meu problema.

O que realmente me incomodou é que, em diversos momentos, Bond é capturado ou encurralado em situações onde os vilões poderiam simplesmente acabar com ele — e simplesmente não o fazem, ou tentam de forma tão teatral que ele sempre escapa. Na primeira vez até vai. Mas depois da terceira, quarta vez... começa a pesar. Para um jogo linear que aposta tanto na narrativa, era esperado que a história fosse mais bem trabalhada do começo ao fim. Ela começa muito bem, mas acaba se perdendo nos clichês nos momentos em que mais precisava surpreender.

O tutorial

O tutorial do jogo é simplesmente incrível — aquele tipo que você mal percebe que é um tutorial, sabe? O treinamento no MI6, com a evolução de Bond tanto como agente quanto nos relacionamentos com os outros personagens, é uma obra de arte. Esse segmento sozinho já justifica muito do hype em torno do jogo.

Gameplay — Ação e furtividade

A IO Interactive conseguiu um equilíbrio perfeito entre Uncharted e Hitman. Você pode ser totalmente furtivo — com diversas opções de invasão e resolução dos problemas — ou simplesmente sair metendo a porrada em geral. As duas abordagens funcionam e se complementam bem.

Senti falta de uma opção de esconder corpos. Às vezes você deita um inimigo e, por não poder ocultá-lo, acaba alertando outros nas proximidades. Porém, como a IA não é das melhores, é algo que você resolve com facilidade. Falando em IA: não me incomodou muito ela ser um pouco limitada — o jogo continua divertido, e acredito que uma IA muito agressiva poderia frustrar mais do que divertir. No modo padrão, achei bem equilibrado.

Ambientação e trilha sonora

A ambientação é incrível. Cada cenário é bem detalhado e interativo: em momentos de luta, prateleiras caem, você pode arremessar uma xícara — ou até um teclado — no inimigo. A diversidade de locações é um dos grandes trunfos do jogo: cada missão te leva a um lugar diferente do mundo, e isso nunca cansa.

A trilha sonora merece destaque especial. Em certos momentos me senti dentro de um filme de espionagem à la 007 — não por músicas completas, mas por aqueles jingles e temas instrumentais que, de olhos fechados, você apostaria que vieram direto de um filme da franquia. Zero defeitos nesse quesito.

Gráficos e performance

Sem problemas em momento algum. Sombras e iluminação bem definidas, personagens detalhados e ambientes maravilhosos. Em um momento específico do jogo tive uma leve queda de FPS — acredito que era por conta de fogos de artifício em cena — mas fora isso, a performance foi impecável durante toda a campanha.

Veredicto — 8,5

007: First Light é um jogo gostoso de jogar que vale a pena colocar na lista. A IO Interactive mostrou que sabe o que está fazendo com a licença e entregou uma experiência que vai agradar tanto os fãs da franquia quanto quem, como eu, nunca foi um bondiano de carteirinha. A história tropeça nos clichês — mas o pacote completo entrega muito mais do que decepciona.